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quinta-feira, 26 de abril de 2007

Atendendo a pedidos, as variedades lingüisticas!!!! Bjux Carlos Henrique

Um pouco sobre variedades lingüísticas pra 6ª Série!!! Pra vc em especial Carlos Henrique!!! Estudem meninos!!!!!
bjoks a todos!!!!

LÍNGUA PADRÃO

Linguagem e sociedade


Linguagem e sociedade estão ligadas entre si de modo inquestionável. Mais do que isso, podemos afirmar que essa relação é a base da constituição do ser humano. A história da humanidade é a história de seus organizadores em sociedade e detentores de um sistema de comunicação oral, ou seja, de uma língua.

Qualquer língua, falada por qualquer comunidade, exibe sempre variação. Pode-se afirmar mesmo que nenhuma língua se apresenta como entidade homogênea. Isso significa dizer que qualquer língua é representada por um conjunto de variedades. Concretamente o que chamamos de “língua portuguesa” engloba os diferentes modos de falar utilizados pelo conjunto de seus falares do Brasil, em Portugal, em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Timor etc.

Língua e variação são inseparáveis. A diversidade da língua não deve ser encarada como um problema, mas como uma qualidade constitutiva do fenômeno lingüístico. Os falantes adquirem as variedades lingüísticas próprias da sua região, de sua classe social etc. De uma perspectiva geral, podemos descrever as variedades lingüísticas a partir de dois parâmetros básicos: a variação geográfica e variação social.

A variação geográfica está relacionada às diferenças lingüísticas no espaço físico, observáveis entre falantes de origens geográficas distintas. Exemplos: o uso de vogais abertas [mE’ladu] (no Nordeste) e uso de vogais fechadas [me’ladu] (no Sudeste); preferência pela posposição verbal na negação, como em “sei não” (no Nordeste) e “não sei” ou “não sei, não” (no Sudeste); uso do artigo definido antes de nomes próprios , como em “falei com a Joana” (Sudeste) e “falei com Joana” (Nordeste).

Tomando-se a comunidade de fala da língua portuguesa como um todo, podemo-nos referir às variedades brasileira, portuguesa, baiana, curitibana, rural paulista (ou caipira) etc.

A variação social, por sua vez, relaciona-se a um conjunto de fatores que têm a ver com a identidade dos falantes e também com a organização sociocultural da comunidade de fala. Nesse sentido, podemos apontar os seguintes fatores relacionados às variações de natureza social:

a) classe social – observa-se o uso de dupla negação, como “ninguém não viu”, “eu nem não gosto”, presença de [r] em lugar de [l] em grupos consonantais, como em “brusa”, “grobo” nas falas de grupos situados abaixo na escala social.

b) idade – uso de léxico particular, como o uso de gírias que denota faixa etária jovem.

c) sexo

d) profissão

e) situação ou contexto social – qualquer pessoa muda sua fala de acordo com o(s) seu(s) interlocutor(es) segundo o lugar em que se encontra – em um bar, em uma conferência – e até mesmo segundo o tema da conversa – fofoca, assunto científico. Ou seja, todo falante varia sua fala segundo a situação em que se encontra. Cada grupo social estabelece um contínuo de situações cujos pólos extremos e opostos são representados pela formalidade e informalidade. Em nossa sociedade, conferências, entrevistas para obtenção de emprego, solicitação de uma informação a um desconhecido, contato entre vendedores e clientes são, em geral, vistos como situações formais. Já situações como passeatas, mesas redondas sobre esporte, bate-papo em bar, festas de Natal nas empresas são definidas como informais. As variedades lingüísticas utilizadas pelos participantes das situações devem corresponder às expectativas sociais convencionais: o falante que não atender às convenções pode receber algum tipo de “punição”.

Aprendemos a falar na convivência. Mas, mais do que isso, aprendemos que devemos falar de um certo modo e quando devemos falar de outro. Os indivíduos que integram uma comunidade precisam saber quando devem mudar de uma variedade para outra.

Os parâmetros da variação lingüística são diversos, como se pode inferir da exposição feita até aqui. Assim no ato de interagir verbalmente, um falante utilizará a variedade lingüística relativa a sua região de origem, classe social, idade, escolaridade, sexo, profissão etc. e segundo a situação em que se encontrar.

As variedades lingüísticas e a estrutura social

Como já foi dito, em qualquer comunidade de fala, podemos observar a coexistência de um conjunto de variedades lingüísticas. Essa coexistência, entretanto, não se dá no vácuo, mas no contexto das relações sociais estabelecidas pela estrutura sociopolítica de cada comunidade. Na realidade objetiva da vida social, há sempre uma ordenação valorativa das variedades lingüísticas em uso, que reflete a hierarquia dos grupos sociais. Isto é, em todas as comunidades existem variedades que são consideradas superiores e outras inferiores. “Uma variedade lingüística ‘vale’ o que ‘valem’ na sociedade os seus falantes, isto é, vale como reflexo do poder e da autoridade que eles têm nas relações econômicas e sociais” (Gnerre). Constata-se, de modo evidente, a existência de variedades prestigiadas e de variedades não prestigiadas nas sociedades em geral. As sociedades de tradição ocidental oferecem um caso particular de variedade prestigiada: a variedade padrão. A variedade padrão é a variedade lingüística socialmente mais valorizada de reconhecido prestígio dentro de uma comunidade, cujo uso é normalmente requerido em situações de interação determinadas, definidas pela comunidade como próprias em função da formalidade da situação, do assunto tratado, da relação entre os interlocutores etc. A questão da língua padrão tem uma enorme importância em sociedades como nossa.

A variedade padrão de uma comunidade – também chamada norma culta, ou língua culta – não é como um senso comum faz crer a língua por excelência a língua original, posta em circulação, da qual os falantes se apropriam como podem ou são capazes. O que chamamos de variedade padrão é o resultado de uma atitude social ante a língua, que se traduz, de um lado, pela seleção de um dos modos de falar entre variedades existentes na comunidade, de outro, pelo estabelecimento de um conjunto de normas que definem o modo “correto” de falar. Tradicionalmente, o melhor modo de falar e as regras do bom uso correspondem aos hábitos lingüísticos dos grupos socialmente dominantes. Em nossas sociedades de tradição ocidental, a variedade padrão, historicamente coincide com a variedade falada pelas classes sociais altas, de determinadas regiões geográficas.

A avaliação social das variedades lingüísticas é um fato observável em qualquer comunidade da fala. Freqüentemente, ouvimos falar em línguas “simples”, “inferiores”, “primitivas”. Para a Lingüística – ciência da linguagem – esse tipo de afirmação carece de qualquer fundamento científico. Toda língua é adequada à comunidade que utiliza, é um sistema completo que permite a um povo exprimir o mundo físico e simbólico em que vive. Assim como não existem línguas “inferiores”, não existem variedades lingüísticas “inferiores”. As línguas não são homogêneas e a variação observável em todas elas é produto de sua história e do seu presente. Em que se baseiam, então, as avaliações sociais? Podemos afirmar que os julgamentos sociais ante a língua – ou melhor, as atitudes sociais – se baseiam em critérios não lingüísticos: são julgamentos de natureza política e social. Não casual, portanto, que se julgue “feia” a variedade dos falantes de origem rural, de classe social baixa, com pouca escolaridade, de regiões culturalmente desvalorizadas. Consideramos, por exemplo, o r caipira “desagradável”, mas usamos esse mesmo som para falar “car” (carro) em inglês sem achar “feio”. Em resumo, julgamos não a fala, mas o falante, e o fazemos em função de sua inserção na estrutura social.

A Língua Padrão muda no tempo

Este é um fato elementar para quem quer entender as línguas: todas as línguas mudam ao longo do tempo. As formas lingüísticas consideradas pa­drões, principalmente na escrita, são mais resistentes à mudança - porque vivem sob controle severo! - mas também mudam. Vejamos algumas conseqüências que decorrem da mudança.

Uma delas é a relativa imprecisão de suas características. Um exemplo bastante visível é o caso da regência de alguns verbos. Há uma tendência mui­to forte na linguagem oral do português brasileiro de tornar transitivos dire­tos alguns verbos que tradicionalmente eram transitivos indiretos (Assisti um filme, por exemplo, em vez de Assisti a um filme). Nesses casos, a tendência já está passando à escrita, e talvez seja muito mais freqüente o emprego "errado" que o emprego "certo", mesmo em textos de boa qualidade, escritos por bons escritores ou jornalistas. Uma evidência dessa mudança na língua padrão é o fato de que estes verbos tornados transitivos diretos passaram a ocorrer com freqüência na escrita padrão na forma passiva, impossível sintaticamente com verbos transitivos indiretos (O jogo Brasil x Argentina foi assistido por milhões de telespectadores dos dois países; ou A Constituição nem sempre tem sido obedecida pelas autoridades federais).

Quando o uso chega a esse ponto, pode-se dizer que a mudança de padrão começa a se consolidar. Outro caso visível é a colocação dos pronomes no português brasileiro, que insiste sistematicamente em recusar algumas normas das gramáticas escolares. Na fala, o padrão de Portugal (que determinou na origem o do Brasil) desapareceu quase que por completo. Na escrita mantém-se mais visivelmente apenas a regra de não se começar período com pronome átono, mas mesmo esta é rompida em textos mais informais e nos textos literários.

Em outros casos, a resistência é muito mais forte. Veja-se, por exemplo, o fenômeno da concordância nos casos em que o sujeito aparece de­pois do verbo, do tipo foram inauguradas as usinas. Na língua oral - e isso mesmo nas faixas mais escolarizadas da população - há uma tendência sis­temática a não fazer a concordância (Foi inaugurado as usinas). Mas aqui a transformação não chegou ao padrão escrito de prestígio, embora seja fre­qüentíssima em textos escolares, o que costuma ser sintoma de que a mu­dança está avançando significativamente.

Outro aspecto que decorre da mudança da língua ao longo do tempo é a convivência (nem sempre pacífica!) entre formas arcaicas e formas con­temporâneas, isto é, as mudanças nunca acontecem subitamente. Pouco a pouco, as "novidades" (ou os "erros", dependendo do ponto de vista...) vão se popularizando e disseminando até o momento em que ninguém mais consegue perceber a nova forma como erro - exceto, é claro, os gramáticos, que por mais que reclamem e vociferem não conseguem “segurar” a mudança. Faça um teste: tente convencer pessoas comuns que o certo é dizer Se eu vir fulano, eu o aviso, e não Se eu ver fulano, eu aviso ele. Falar nisso: o padrão é Convencer pessoas que o certo é... ou Convencer pessoas de que o certo é...?

ATIVIDADES

1. O texto “FMI vem aí, viva o FMI”, do articulista Luís Nassif, publicado na revista Ícaro, está redigido no português culto, característico do jornalismo, e contém, inclusive, um bom número de expressões típicas da linguagem dos economistas, como “desequilíbrio conjuntural”, “royalties”, “produtos primários”, “política cambial”. No entanto, contém também termos ou expressões informais, como na seguinte frase: “Há um ou outro caso de mudanças estruturais no mundo que deixa os países com a broxa na mão”.

Leia o trecho abaixo, que é parte do mesmo artigo, e responda às questões:

Países já chegam ao FMI com todos esses impasses, denotando a incapacidade de suas elites de chegarem a fórmulas consensuais para enfrentar a crise – mesmo porque essas fórmulas implicam prejuízos aos interesses de alguns poderosos. Aí a burocracia do FMI deita e rola. Há, em geral, economistas especializados em determinadas regiões do globo. Mas, na maioria das vezes, as fórmulas aplicadas aos países são homogêneas, burocráticas, de quem está por cima da carne-seca e não quer saber de limitações de ordem social ou política (...). Sem os recursos adicionais do fundo, a travessia de 1999 seria um inferno, com reservas cambiais se esvaziando e o país sendo obrigado ou a fechar sua economia ou a entrar em parafuso. O desafio maior será produzir um acordo que obrigue, sim, o governo e o congresso a acelerarem as reformas essenciais.

(Ícaro, 170, out. 1998)

a) Transcreva outras três expressões do trecho que tenham a mesma característica de informalidade.

b) Substitua as referidas expressões por outras típicas da linguagem formal.

2. Afasta-se do rigor da norma da língua escrita a colocação do pronome átono na frase:

a) Levaram-me para uma casa velha que fazia doces.

b) Alargaram-se as lavouras.

c) O velho recolhera-se ao quarto.

d) A mentira apresentava-se-nos como a geradora de todos os crimes.

e) "Solto na frente a estátua número três

Se ouvem os clarins das vitrolas." (M.M.)

3. No trecho abaixo, a colocação dos pronomes oblíquos átonos está de acordo com a norma culta? Explique.

Não se imagine que os círculos se constituam na base da boa vontade amadorística. Eles se estruturam em regras e critérios dos quais dependem sua eficácia e durabilidade. Uma tarefa delicada é manter com os professores e diretores das escolas um relacionamento que lhes evite a pecha de invasores da seara alheia. (...) Como regra, as reuniões se dão nas próprias escolas. Os alunos que mais se destacam são convidados a integrar grupos que se reúnem em São Paulo (...) Prefere-se no entanto ir devagar, para não comprometer a qualidade. (Roberto Pompeu de Toledo)

Leia o Texto “Asa Branca” e responda às questões 4 e 5.

ASA BRANCA


Quando oiei a terra ardendo

Quá foguera de São João

Eu preguntei a Deus do céu, ai

Pur que tamanha judiação?

Qui braseiro, qui fornaia

Nem um pé de prantação

Pru farta d’água perdi meu gado

Morreu de sede meu alazão.

Inté mesmo a asa branca

Bateu asas do sertão

Entonce eu disse, adeus Rosinha

Guarda contigo meu coração

Hoje longe muitas léguas

Numa triste solidão

Espero a chuva cair de novo

Pra mim vortá pro meu sertão.

Quando o verde dos teus óio

Se espaiá na prantação

Eu te asseguro, num chore não, viu?

Que eu vortarei, viu, meu coração.

Título da Obra: ASA BRANCAAutores: Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira


Com relação ao texto acima, considere a afirmação: "Existe diferença entre uso coloquial e uso vulgar da língua; no primeiro, o emissor expressa-se de modo espontâneo, descontraído. As frases, apesar de agramáticas, mantêm o padrão sintático da língua; já o uso vulgar reflete o falar de pessoas ignorantes, iletradas, cuja marca mais característica está no sistema fonético".

3. Relacione "Asa Branca" com as afirmações acima e assinale a alternativa incorreta:

a) São exemplos do uso vulgar da língua: “oiei”, “qua”, “qui fornaia”, “prantação”, “pru farta” entre outros que podem ser localizados no texto.

b) Há no texto, também, o uso culto da língua.

c) O vocabulário empregado no texto reflete o ambiente físico e social do emissor, sendo de se observar que o emissor representa toda uma coletividade.

d) Na quarta estrofe (versos 13, 14 e 15) há predomínio do uso culto da língua.

e) Não há uso coloquial da língua no texto, há tão-somente o uso culto e vulgar.

4. Trace o perfil do “eu” da música Asa Branca, mostrando, se possível, a idade, o sexo, o grau de escolaridade, a região, a classe social desse “eu”.

5. Leia a carta abaixo e comente sobre a linguagem utilizada nela:

Buritis, maio de 2003.

Seo Luiz:

Pode parecê confianssa minha lhe inscrevê aí pru Pranarto. Toma o lugá de sua Consciênssa anssim, nas cara dura.

Mai num é isso qui Voz Celença tá pensano. De jeito manera.

Antez de lhe mandá eça carta, caitituei mutcho aqui cus meus miolo.

Será que inscrevo, será qui num inscrevo?

Até a Nena eu acunsertei a mó di sabê si era descunviniente ou não.

No frigir dos ovo da pata, seo Luiz, eu num pudi me contê.

As similhanssa entre u seu disgoverno e u du meu ex-patrozim – seo Fernando, que Deus o tenha lá na Ôngui dele qui pra nóiz é lucro – tão grande qu’eu tinha qui lhi mandá essas mar-trassada de acunsseiamento.

Perário amigo: escoite u qui um home véi, falido e mar pago, tem pá lhe dizê.

Eu já fui ssistente de outro prisidente. Cunhesso um poço desse frege doido qui ocêis se metero.

Premeramente, seo Luiz, - em mia amudesta pinião – o sinhô adivia de si defenir difinitivamente.

U qui diacho eu sô?

Sô neoliberá cuma u Fernando?

Sô cumunista cuma u Preste?

Sô um lazcado cuma u Duárdhe, das Argentina?

Sô o quê, sô?

Assegundamente, o sinhô divia di formá seu ministório cum as pessoa qui se assemêia a Voz Celença.

Si o sinhô quisé sê neoliberá, num dianta disfarssá cum o Palhoça. Xama logo u Malão e u Arminho di vórta.

Agora, si u Luiz qué sê marquessista, pessedobão dus bão, o negoço é botá u Ardo Rebelo de premêro Minister.

Para sê qui nem u Duárdhe é fácil. Basta num fazê nada i pronto, nóis quebra rapidim.

O caminhu é a arto-defenissão, vãi por mim.

Outra coiza portante.

Fora u xeque qui aquela muié fogoió entrego pru Grazianu – a Geizela Bircha, num sabe? – u tár do Fome Zero num teve maise nada anssim de isporrante.

Luiz, tu corre u cério rizco de vê a vedete du teu disgoverno sê xamada puraí di Fome Zero à Isquerda1

Pega esse povo de Brasílha qui vive puchando teu saco, pega a tua caxorrinha Michella, pega esses masketêro e bota tudo despaxá lá de Guaribas, no Piauhy! Tu vai vê com esses Fome Zero endereita na ora!

E óia, me arruma uma colocassão aí na tar Granja do Torto que eu e a Nena indireitamo a tua burcite só na baze do chá de losna, viu?

Um abrasso du colega perário du campo,

Alencarino

P.S.: 240 real? Iço aí num é salário-mínimo, isso é gorgeta-máxima!

2 comentários:

Mariana disse...

Bom adorei os exercícios mas você tem a solução deles, respondi agora quero ver se está certo.

Anônimo disse...

Não tem a publicação das respostas dessas atividades???