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sábado, 23 de junho de 2012

Conteúdo e atividades de estudo 9o ano São Sebastião I



Período composto por subordinação

No período composto por subordinação sempre aparecem dois tipos de oração: oração principal e oração subordinada.

O período:

Todos esperam sua volta

É um período simples, pois apresenta uma única oração. Nele podemos identificar:

Todos (suj.) esperam (v.t.dir.) sua volta.(obj. direto)

Se transformarmos o período simples acima em um período composto, teremos:

Todos esperam que você volte.

1ª oração: Todos esperam
2ª oração: que você volte

Nesse período, a 1ª oração apresenta o sujeito todos e o verbo transitivo direto esperam, mas não apresenta o objeto direto de esperam. Por isso, a 2ª oração é que tem de funcionar como objeto direto do verbo da 1ª oração.

Verificamos, então, que:

I. a 1ª oração não exerce, no período acima, nenhuma função sintática. Por esse motivo ela é chamada de oração principal.
II. a 2ª oração depende da 1ª, serve de termo (objeto direto) da 1ª e completa-lhe o sentido. Por esse motivo, a 2ª oração é chamada de oração subordinada.

Resumindo:

Oração principal: é um tipo de oração que no período não exerce nenhuma função sintática e tem associada a si uma oração subordinada.
Oração subordinada: é toda oração que se associa a uma oração principal e exerce uma função sintática (sujeito, objeto, adjunto adverbial etc.) em relação à oração principal.

As orações subordinadas classificam-se, de acordo com seu valor ou função, em:
Orações subordinadas substantivas

Inicialmente, diga-se que são aquelas orações subordinadas que exercem as seguintes funções: sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicado nominal e aposto, exemplos:

Insinuou nada conhecer.
Pediu que se fizesse silêncio

As orações subordinadas substantivas podem ser de seis espécies:

1ª. Subjetivas: são aquelas que exercem a função de sujeito em relação a outra oração. Exemplos:

Importa estudar continuamente
Sabe-se que a situação econômico-financeira ainda vai ficar pior.
Convém que não saias da classe.

Facilita encontrar o sujeito de uma oração interrogar o verbo da oração:
Importa o que?; o que se sabe?; o que convém?

2ª. Objetivas diretas: são aquelas que exercem a função de objeto direto de outra oração.

Informamos que os alunos sairão pela porta dos fundos.
Amaral não sabia como realizar o sorteio.
Responda se conhece o novo time do Flamengo.
Olha como tudo terminou bem!
Penso que eles viajarão amanhã cedo.
Temo que Marcos saia ferido.
Pedi que saíssem da sala.
Vi-o correr.

Observa-se que o objeto direto é identificado da seguinte maneira: quem confia, confia em alguma coisa; quem sabe, sabe de alguma coisa; quem espera, espera alguma coisa; e assim por diante.
As locuções tenho medo, estou com esperança e sou de opiniãoou ele é de opinião têm força transitiva direta, isto é, são equivalentes a verbos transitivos diretos: temer, esperar, opinar. Se estas expressões vierem acompanhadas de preposição de antes da conjunçãoque, as orações já não serão objetivas diretas, mas completivas nominais:

Tenho medo de que ele não resista ao interrogatório.
Estou com esperança de que ele saia vitorioso.
Estou com receio de que não ocorra o jogo.

3ª. Objetivas indiretas: são aquelas que exercem a função de objeto indireto de outra oração, isto é, ligam-se à oração principal mediante preposição. Exemplos:

Preciso de rever todas as provas.
Cláudia não gostou das provocações e insinuações.
O acidente obstou a que chegássemos mais cedo.
O jovem obedeceu a todos que lhe são superiores.

A identificação do objeto indireto é realizada mediante o seguinte procedimento: quem precisa, precisa de alguma coisa; quem gosta, gosta de alguma gosta; quem obedece, obedece a alguma coisa; e assim por diante.

4ª. Completivas nominais: são aquelas que completam o sentido de um substantivo, adjetivo ou advérbio. Exemplos:

Ivo tinha esquecido de que sua proposta não agradara.
Alencar estava esperançoso de que tudo se resolveria.
A opinião de que Luís desistirá do estudo é conclusão precipitada.

Assim como alguns verbos exigem objeto que lhes complete o sentido, há algumas palavras que necessitam de outras que lhes completem o sentido. Assim, pode-se à semelhança dos verbos, perguntar: acordo de que?; esperançoso de quê?; opinião de quê? (ou sobre o quê?); medo de quê? A reposta a estas perguntas constitui o complemento nominal.

5ª. Predicativas: são aquelas que funcionam como predicativo do sujeito. Exemplos:

O bom é que você não desconfia nunca.
O mal é você ficar de braços cruzados.
O certo é que Sérgio não se casará.

A falácia é que para ficar rico é preciso ficar pobre.

Não se deve confundir oração predicativa com oração subjetiva. Exemplos:

É certo que o Vasco não ganhará do Flamengo = subjetiva.
A oração grifada funciona como sujeito
O certo é que o Vasco não ganhará do Flamengo = predicativa
A oração grifada funciona como predicativo do sujeito.

6ª. Apositivas: são aquelas que funcionam como aposto. Exemplos:

Sua instrução foi única: estudar sempre
Pedi-lhe um favor: que me chamasse às sete horas.

O aposto é uma foram de adjunto adnominal, que é constituído de uma palavra ou expressão em aposição, exemplificando um ou vários termos expressos na oração. Note-se nos exemplos que estudar sempre explica a frase inicial, determina qual foi sua instrução; qual foi o favor pedido.
Orações subordinadas adjetivas

A oração que modifica um substantivo de outra oração é denominada oração subordinada adjetiva. Em geral, tais orações são introduzidas por pronome relativo. Exemplo:

O garoto que era risonho tornou-se um garoto sisudo.

Segundo a Nomenclatura Gramatical Brasileira, as orações subordinadas adjetivas exercem a função sintática de adjunto adnominal de um termo da oração principal.
As orações subordinadas adjetivas são de duas espécies: explicativas e restritivas.
As explicativas são aquelas que indicam qualidade inerente ao substantivo a que se referem. Justapõem-se a um substantivo já plenamente definido pelo contexto. Além disso, as orações adjetivas explicativas podem ser eliminadas sem prejuízo do sentido. Têm função meramente estilística. Exemplos:

O inverno suíço de 1987, que foi muito rigoroso, matou 100 pessoas.
O homem, que é um ser racional, tem perdido suas características mais preciosas.
O lírio, que é branco, já não é símbolo de candura.

As orações adjetivas explicativas são menos comuns que as restritivas.
As orações adjetivas restritivas delimitam o sentido do substantivo antecedente. São indispensáveis ao sentido total da oração. Exemplos:

Todo aluno que é estudioso é digno de aprovação.
Todo político que é honesto é capaz de causar revoluções administrativas.
Não acredito no médico do qual me falaste há pouco.
O professor cujas orientações não são diretivas tem conseguido resultados assustadores nos últimos tempos.
Orações subordinadas adverbiais

Um terceiro tipo de orações subordinadas são as adverbiais, isto é, aquelas que equivalem a advérbios em relação a outra oração.
Os adjuntos adverbiais são termos acessórios das orações; são determinantes. Os determinantes adverbiais acrescentam "ao predicado o esclarecimento de lugar, tempo, modo etc."

Almoçarei ao meio-dia.
Chegaram aqui as embarcações.
Ontem choveu.
Aquele homem caminha com dificuldade.
Tu te exprimes muito bem.

São, portanto, os adjuntos adverbiais expressões que acrescentam circunstâncias aos fatos expressos.
Recorde-se também que as orações reduzidas às vezes indicam circunstâncias que caracterizam e restringem o sentido do verbo:

Não te emprestarei dinheiro para gastares com bijuterias. (adverbial final reduzida de infinitivo)
Chegando ao teatro, comprei os ingressos. (subordinada adverbial temporal reduzida de gerúndio)
Terminado o jogo, voltei pra casa. (subordinada adverbial temporal reduzida de particípio)

As orações subordinadas adverbiais são dos seguintes tipos: causais, comparativas, consecutivas, concessivas, condicionais, conformativas, finais, proporcionais e temporais.

1ª. Causais: são aquelas que modificam a oração principal apresentando uma circunstância de causa, isto é, respondem à pergunta "por quê?" feita à oração principal. Exemplos:

Carlos saiu porque precisava.
Amadeu não saiu porque estava frio.
Nilo Lusa deixou o magistério porquanto sua saúde era precária.

São conjunções causais: porque, que, porquanto, visto que, por isso que, como, visto como, uma vez que, já que, pois que.

2ª. Comparativas: são aquelas que correspondem ao segundo termo de uma comparação. Exemplos:

Marisa é tão boa digitadora quanto Teresa
"A preguiça gasta a vida como a ferrugem consome o ferro"

São conjunções comparativas: como, mais do que, assim como, bem como, que nem (como), tanto quanto.

3ª. Consecutivas: são aquelas que são introduzidas por um termo intensivo que vem em seguida à oração principal, acrescentando-lhe ideias e explicações, ou completando-a, ou tirando uma conclusão. Exemplos:

O Plano de Estabilização Econômica foi tão cercado de flores de todos os lados que não percebemos suas consequências menos interessantes.
Onde estás, Eliana, que não te vejo!
Otávio bebia tanto que morreu afogado no seu próprio vômito.
Faça seu trabalho de tal modo que não venha a lastimar-se do resultado que dele possa advir.

São conjunções consecutivas: (tanto) que, (tão) que, (de tal forma) que.

4ª. Concessivas: são aquelas que se caracterizam pela ideia de concessão que transmitem à oração principal. Exemplos:

Ainda que faça frio, o jogo realizará.
Cristiano foi ao parque, embora estivesse chovendo.
Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.

São conjunções concessivas: embora, posto que, se bem que, ainda que, sempre que, desde que, conquanto, mesmo que, por pouco que, por muito que.

5ª. Condicionais: são aquelas que se caracterizam por transmitir ideias de condição à oração principal. Exemplos:

Se o filme for ruim, sairei do cinema.
Caso tivesse realizado as obras necessárias, não teria perdido a eleição.

São conjunções condicionais: se, salvo se, senão, caso, desde que, exceto se, contanto que, a menos que, sem que, uma vez que, sempre que.

6ª. Conformativas: são aquelas que indicam o modo como ocorreu a ação expressa na oração principal. Exemplos:

Conforme as últimas notícias, o mundo corre risco de uma guerra generalizada.
Realizei seus desejos como você me havia sugerido.
Escrevi carta burocrática, segundo o estilo oficial estabelece.

São conjunções conformativas: de modo que, assim como, bem como, de maneira que, de sorte que, de forma que, do mesmo modo que, segundo conforme.

7ª. Finais: são aquelas que indicam o fim ou finalidade à oração principal. Exemplos:

É preciso que haja políticos de concepções liberais extremadas para que os conservadores não reduzam os homens a títeres.
Acenei-lhe para que silenciasse
Antônio Carlos falou baixinho a fim de que não fosse percebida sua revolta.

São conjunções subordinativas finais: para que, a fim de que.

8ª. Proporcionais: são aquelas que transmitem ideia de proporcionalidade à ideia principal. Exemplos:

À proporção que o tempo passa, a agonia recrudesce.
O barulho de algazarra aumenta à medida que se aproxima das crianças.

São conjunções subordinativas proporcionais: à medida que, à proporção que, ao passo que.

9ª. Temporais: são aquelas que indicam relação de tempo naquilo que se refere à ação expressa pela oração principal. Exemplos:

Enquanto leio poesia, recupero o equilíbrio emocional.
Cada vez que eu penso, te sinto, te vejo...

São conjunções subordinadas temporais: quando, enquanto, agora que, logo que, desde que, assim que, tanto que, apenas, antes que, até que, sempre que, depois que, cada vez que.

Orações reduzidas

São denominadas orações reduzidas aquelas que apresentam o verbo numa das formas nominais, ou seja, infinitivo, gerúndio e particípio.
As orações reduzidas de formas nominais podem, em geral, ser desenvolvidas em orações subordinadas. Essas orações são classificadas como as desenvolvidas correspondentes.
As orações reduzidas não são introduzidas por conectivo.
No caso de se fazer uso de locução verbal, o auxiliar indica se se trata de oração reduzida ou não. Na frase:

Tendo de ausentar-se, declarou vacante seu cargo.

Temos aqui uma oração reduzida de gerúndio. Portanto, é condição para que a oração seja reduzida que o auxiliar se encontre representado por uma forma nominal.
Exemplos de orações reduzidas de infinitivo:

Substantivas subjetivas: são aquelas que exercem a função de sujeito do verbo de outra oração. Exemplos:

Não convém agires assim
É certo ter ocorrido uma disputa de desinteressados.
Urge partires imediatamente.

Substantivas objetivas diretas: são aquelas que exercem a função de objeto direto. Exemplos:

Ordenou saírem todos logo.
Respondeu estarem fechadas as matrículas.
As crianças fazem rir seus rivais.
O professor assegurou serem os exames para avaliar e não para derrotar os alunos.
Peça-lhes fazer silêncio.

Substantivas objetivas indiretas: são aquelas que funcionam como objeto indireto da oração principal. Exemplo:

Aconselho-te a sair imediatamente.

Substantivas predicativas: são aquelas que funcionam como adjetivo da oração principal. Exemplos:

O importante é não se deixar corromper pela desonestidade.
Seu desejo era adquirir um automóvel.

Substantivas completivas nominais: são aquelas que funcionam como complemento de um nome da oração principal. Exemplos:

Maíra estava disposta a sair da casa.
Tinha o desejo de espalhar os fatos verdadeiros.

Substantivas apositivas: são aquelas que funcionam como aposto da oração principal. Exemplos:

Fez uma proposta a sua companheira: viajarem pelo interior, no fim do ano.
Recomedou-lhe dois procedimentos: ler e refletir exaustivamente a obra de Manuel Bandeira.

Adverbiais: são aquelas que funcionam como adjunto adverbial da oração principal. Exemplos:

Chegou para poder colaborar. (final)
Alegraram-se ao receberem os campeões. (temporal)
Não obstante ser ainda jovem, conquistou posições invejáveis. (concessivas)
Não poderá voltar ao trabalho sem me avisar com antecedência. (condicional)
Não compareceu por se encontrar doente. (causal)
É alegre de fazer inveja. (consecutiva)

Adjetivas: são aquelas que funcionam como adjetivo da oração principal. Exemplos:

O aluno não era de deixar de ler suas redações.
Exemplos de orações reduzidas de gerúndio:

Subordinadas adjetivas: Parei um instante e vi o professor admoestando o garoto.

Adverbiais:

Retornando de férias, volte ao trabalho. (temporal)
João Batista, ainda trajando à moda antiga, apresentava-lhe galhardamente. (concessiva)
Querendo, você conseguirá obter resultados positivos nos exames. (condicional)
Desconfiando de suas palavras, dispensei-o. (causal)
Xavier, ilustre comerciante, enriqueceu-se vendendo carros. (modal ou conformativa)
Exemplos de orações reduzidas de particípio:

Subordinada adjetiva:

As notícias apresentadas pelo Canal X são superficiais.

Adverbiais:

Terminada a aula, os alunos retiraram-se da classe. (temporal)
Reconhecido seu direito, teriam tido outro comportamento. (condicional)
Acossado pela política, não se entregou. (concessiva)
Quebradas as pernas, não pôde correr. (causal)

E.E.E.F. São Sebastião I
Atividades de Revisão – 9o Ano
1.       Nos versos: “As casas espiam os homens/que correm atrás de mulheres”, as orações se classificam respectivamente como:
a.     Oração Principal/Subordinada Adverbial Final;
b.     Oração Coordenada Assindética/Oração Subordinada Adjetiva Explicativa;
c.     Oração Principal/Oração Subordinada Adjetiva Restritiva;
d.     Oração Principal/Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta;
e.     Oração Principal/Oração Subordinada Adjetiva Explicativa.
2.       No trecho: “Para isso, temos que compartilhar com nossos companheiros de uma verdadeira intimidade.” A oração em destaque é:
a.       Subordinada Adjetiva Restritiva.
b.       Subordinada Substantiva Predicativa
c.        Subordinada Substantiva Completiva Nominal
d.       Subordinada Substantiva Objetiva Direta
e.        Subordinada Adjetiva Explicativa
3.       (UFV-MG) "Um dia, como lhe dissesse que iam dar o passarinho, caso continuasse a comportar-se mal, correu para a área e abriu a porta da gaiola." (Paulo Mendes Campos) As orações destacadas são, respectivamente, subordinadas adverbiais:
a.       causal e condicional;
b.       comparativa e causal;
c.        condicional e concessiva;
d.        conformativa e consecutiva;
e.        comparativa e conformativa;
4.       FEI-SP) "Estou seguro de que a sabedoria dos legisladores saberá encontrar meios para realizar semelhante medida." A oração em destaque é substantiva:
a) objetiva indireta
b) completiva nominal
c) objetiva direta
d) subjetiva
e) apositiva
5.  Identifique as orações subordinadas substantivas e coloque:( a ) objetiva direta
( b ) objetiva indireta
( c ) predicativa
( d ) completiva nominal
( e ) subjetiva 
( f ) apositiva
1.            ) Eu tenho a impressão de que o samba vem aí.
2.         (         ) "Até pensei em cantar na televisão."
3.         (         )  Ela ignora quanto me custa seu abandono.
4.         (          ) Esqueci-me de onde ela veio.
5.         (          ) Exigiu que entrássemos na roda.
6.            ) O psiquiatra diz que uma criança de dez anos sabe mais do que Galileu Galilei.
7.         (         ) O senhor acredita que a criança percebe o mundo a sua volta?
6. Nos períodos: É bom que você venha; e Não esqueça que sua presença é importante; as orações grifadas são, respectivamente:
a)    predicativa e objetiva direta
b)    subjetiva e objetiva direta
c)    predicativa e objetiva indireta
d)   subjetiva e subjetiva
e)    completiva nominal e predicativa
7. Não compreendíamos a razão por que o ladrão não montava a cavalo. A oração destacada é
a)   subordinada adjetiva restritiva
b)    subordinada adjetiva explicativa
c)    subordinada adverbial causal
d)   subordinada adverbial final
e)    subordinada substantiva completiva nominal
8.  Escreva E para as orações adjetivas Explicativas e R para as Restritivas:
1.      (      ) A mãe, que era surda, estava na sala com ela.
2.      (       ) Ela reparou nas roupas curiosas que as crianças usavam.
3.      (       ) Ele próprio desculpou a irritação com que lhe falei.
4.      (      ) É preciso gozarmos a vida, que é breve.
5.      (      ) Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar.
6.      (      ) Esse professor de quem falo era um homem magro e triste.
7.      (     ) O instinto moral é a razão em botão, a qual se desenvolve com o tempo, experiência e reflexão.
8.      (     ) O velho pajé, para quem são estas dádivas, as recebe com desdém.
9.      (    ) Onde está a vela do saveiro que o mar engoliu?
10.   (    ) Por que estará de implicância comigo, que nunca lhe pisei nos calos?
18.      Relacione:
(1)        Tempo                            (4)  condição
(2)        Causa                             (5) finalidade
(3)        Conseqüência                 (6)  proporção
 (             ) Vim aqui hoje para cumprimentá-lo pelo seu aniversário.
(              ) Dei-lhe um sinal para que recolhesse as roupas estendidas.
(              ) Se lêssemos os jornais todos os dias seríamos bem informados.
(              ) A vegetação rareava á medida que o trem avançava.
(              ) Quando eu nasci, meu irmão tinha três anos.
(              ) Visto que o bairro era longe, tomou o ônibus.
(              ) Quando o professor viu a limpeza da sala ficou surpreso.
(              ) O povoado cresceu tanto que não o reconhecemos.
(              ) Não pude participar do campeonato que fiquei gripado.
(              ) Se vocês fizerem barulho, não sairão para o recreio.

sábado, 21 de abril de 2012

Preposição




Preposição é uma palavra invariável que liga dois elementos da oração, subordinando o segundo ao primeiro, ou seja, o regente e o regido. Isso significa que a preposição é o termo que liga substantivo a substantivo, verbo a substantivo, substantivo a verbo, adjetivo a substantivo, advérbio a substantivo, etc. Junto com as posposições e as raríssimas circumposições, as preposições formam o grupo das adposições.

Exemplo: "Os alunos do colégio assistiram ao filme de Walter Salles comovidos", teremos como elementos da oração os alunos, o colégio, o verbo assistir, o filme, Walter Salles e a qualidade dos alunos comovidos. O restante é preposição. Observe: "do" liga "alunos" a "colégio", "ao" liga "assistiram" a "filme", "de" liga "filme" a "Walter Salles". Portanto são preposições. O termo que antecede a preposição é denominado regente e o termo que a sucede, regido. Portanto, em "Os alunos do colégio...", teremos: os alunos = elemento regente; o colégio = elemento regido.


Essenciais

Aquelas que só funcionam como preposição, são elas: à (ou "ao" antes de palavra masculina) - a - ante - até - após - com - contra - de - desde - em - entre - para - per - perante - por - sem - sob - sobre - trás.
Acidentais

Aquelas que passaram a ser preposições, mas são provenientes de outras classes gramaticais, como:
afora,
menos,
salvo,
conforme,
exceto,
como,
que...

Exemplos:
Agimos conforme a atitude deles.
Conversamos muito durante a viagem.
Obtiveram como resposta um bilhete.
Ele terá que fazer o trabalho.
Conversamos pouco durante a viagem .

Contração

Junção de algumas preposições com outras palavras, quando a preposição sofre redução.

Ex. do (de + o); neste (em + este); à (a + a); duma (de + uma)

Observação: Não se deve contrair a preposição "de" com o artigo que inicia o sujeito de um verbo, nem com o pronome "ele(s)", "ela(s)", quando estes funcionarem como sujeito de um verbo. Por exemplo, a frase "Isso não depende do professor querer" está errada, pois professor funciona como sujeito do verbo querer. Portanto a frase deve ser "Isso não depende de o professor querer" ou "Isso não depende de ele querer".


O valor semântico das preposições
Ao falar em Semântica, torna-se necessário entender o seu real significado. Ela relaciona o significado estabelecido pelas palavras dentro de um contexto linguístico.

Para melhor entender, analise estas orações:

Adoro doce de leite.
Aquela menina é um doce de pessoa.

Percebemos que na segunda oração, a palavra doce não é entendida no seu sentido literal, como na primeira. O adjetivo tem o sentido de uma pessoa meiga, amável, carismática.

Especificamente falando sobre as preposições, é importante saber que elas fazem parte das dez classes gramaticais e que possuem a função de ligar termos dentro de uma oração.

Elas também estabelecem relações semânticas entre o termo regente (aquele que pede a preposição) e o termo regido (aquele que completa seu sentido). Por isso, veja uma relação em que há esta ocorrência:

Peguei o livro do professor com o compromisso de devolvê-lo amanhã - Valor semântico de posse.

As esculturas de cerâmica fizeram o maior sucesso durante a exposição - Matéria

Estudar com os amigos é muito mais proveitoso - Companhia

O conhecimento é a chave para o sucesso - Finalidade

Fiz o trabalho conforme você sugeriu - Conformidade

Falamos sobre Machado de Assis durante a apresentação do seminário - Assunto

O garoto se feriu com a faca - Instrumento

Aguardávamos com ansiedade o resultado do concurso - Modo

O cachorro morreu de uma epidemia desconhecida - Causa

A plateia protestou contra o alto preço da mensalidade - Oposição

O orientador estipulou um prazo de vinte dias para a entrega da tese de dissertação - Tempo

Conheci uns amigos de Fortaleza - Origem

Interjeição e Figuras Fonéticas



As interjeições são palavras invariáveis que exprimem estados emocionais, ou mais abrangente: sensações e estados de espírito; ou até mesmo servem como auxiliadoras expressivas para o interlocutor, já que, lhe permitem a adoção de um comportamento que pode dispensar estruturas linguísticas mais elaboradas.

As interjeições podem ser classificadas de acordo com o sentimento que traduzem. Segue alguns exemplos para cada emoção:
Alegria: oba!, eba!, viva!, oh!, ah!, uhu!, eh! , gol!, que bom!, iupi!
Saudação: oi!, olá!, salve!, adeus!, viva!, alô!
Alívio: ufa!, uf!, ah!, ainda bem!, arre!
Animação, estímulo: coragem!, avante!, firme!, vamos!, eia!
Aprovação: bravo!, bis!, viva!, muito bem!
Desejo: tomara!, oxalá!, queira deus!, oh!, pudera!
Dor: ai! ui!
admiração: ah!, chi!, ih!, oh!, uh!, ué!, puxa!, uau!, caramba!, caraca!, putz!, gente!, céus!, uai!, horra!, nossa! (francês: oh lala)
Impaciência: hum!, hem!, raios!, diabo!, puxa!, pô!
Invocação: alô!, olá!, psiu!, socorro!, ei!, eh!, ô!
Medo: credo!, cruzes! uh!, ui!, socorro!

Outros exemplos que não representam emoções:
Ordem: silêncio! alto! basta! chega! quietos!
Derivados do inglês: yes! ok!

Os principais tipos de interjeição são aqueles que exprimem:
a) afugentamento: arreda!, fora!, passa!, sai!, roda!, rua!, toca!, xô!, xô pra lá!
b) alegria ou admiração: oh!, ah!, olá!, olé!, eta!, eia!
c) advertência: alerta!, cuidado!, alto lá!, calma!, olha!, Fogo!
d) admiração: puxa!
e) alívio: ufa!, arre!, também!
f) animação: coragem!, eia!, avante!, upa!, vamos!
g) apelo: alô!, olá!, ó!
h) aplauso: bis!, bem!, bravo!, viva!, apoiado!, fiufiu!, hup!, hurra!, isso!, muito bem!, parabéns!
i) agradecimento: graças a Deus!, obrigado!, obrigada!, agradecido!
j) chamamento: Alô!, hei!, olá!, psiu!, pst!, socorro!
k) estímulo: ânimo!, adiante!, avante!, eia!, coragem!, firme!, força!, toca!, upa!, vamos!
l) desculpa: perdão!
m) desejo: oh!, xalá head xala não importa o que aconteça tenha a força com você!, tomara!, pudera!, queira Deus!, quem me dera!,
n) despedida: adeus!, até logo!, bai-bai!, tchau!
o) dor: ai!, ui!, ai de mim!
p) dúvida: hum! Hem!
q) cessação: basta!, para!
r) invocação: alô!, ô, olá!
s) espanto: uai!, hi!, ali!, ué!, ih!, oh!, poxa!, quê!, caramba!, nossa!, opa!, Virgem!, xi!, terremoto!, barrabás!, barbaridade!, meu Deus!, menino Jesus!
t) impaciência: arre!, hum!, puxa!, raios!
u) saudação: ave!, olá!, ora viva!, salve!, viva!, adeus!,
v) saudade: ah!, oh!
w) silêncio: psiu!, silêncio!, calada!, psiu! (bem demorado), psit!
x) suspensão: alto!, alto lá!
y) terror: credo!, cruzes!, Jesus!, que medo!, uh!, ui!, fogo!, barbaridade!
z) interrogação: hei!… desapontamento: puxa! 


A compreensão de uma interjeição depende da análise do contexto em que ela aparece. Quando a interjeição é expressada com mais de um vocábulo, recebe o nome de locução interjetiva. Ora bolas!, cruz credo!, puxa vida!, valha-me Deus!, se Deus quiser! Macacos me mordam!

A interjeição é considerada palavra-frase, caracterizando-se como uma estrutura à parte. Não desempenha função sintática.


Ô, turma!

. As figuras de som compõem uma modalidade específica das figuras de linguagem e têm como característica principal “brincar” com os sons produzidos pelas palavras para causar determinado efeito no leitor. São elas: Aliteração, Assonância, Eco e Onomatopeia (sem acento!)

Aliteração: é a repetição de sons consonantais iguais ou similares, como em: “Na beira da pia, tanque, bica, bacia, banheira”. Nesse trecho, deve ser percebida não há só a repetição da consoante B, mas sim de todos os sons produzidos pelo encontro dos lábios B e P.

Assonância: o mesmo processo da aliteração se repete nesta figura, mas aqui o priorizado serão as vogais. Em “a andar para sala, agora era a hora da saída”, há uma repetição constante da letra A.

Eco: quando a repetição da assonância ou da aliteração vem no final de váriaspalavras, o fenômeno se transforma em um Eco: “Não faz mal, meu doce de mel, eu farei seu o céu”.

Onomatopeia: é a tentativa de retratar na escrita os sons produzidos pelos objetos e seres. Tanto pode vir no decorrer de uma frase, escondida, do tipo “O clique dado no mouse era de noite tão alto quanto o baque de uma porta”, como pode vir de modo mais óbvio, feito interjeições “Kablam! Gritavam os raios no céu” ou “Caim caim, choramingou o anterior auau raivoso do pequenês”.


Conjunções Coordenativas e Subordinativas


Coordenativas

As conjunções coordenativas são conhecidas por:
Aditivas

Indicam uma relação de adição à frase: e, nem, mas também, como também, além de (disso, disto, aquilo), quanto (depois de tanto), bem como etc.

Ex.: Comi e fiquei satisfeita.Todos aqui estão contentes e despreocupados.
Adversativas

Indicam uma relação de oposição bem como de contraste ou compensação entre as unidades ligadas. Também pode gerar um sentido de consequência a algo dito anteriormente. São elas: mas,porém, todavia, entretanto, no entanto, senão, não obstante, contudo, etc. Antes dos nexos adversativos a vírgula é obrigatória.

Ex: O carro bateu, mas ninguém se feriu.
Alternativas ou disjuntivas

Como o seu nome indica, expressam uma relação de alternância, seja por incompatibilidade dos termos ligados ou por equivalência dos mesmos. São elas: ou... ou, ou, ora... ora, já... já, quer... quer, etc.

Ex.: Ou ela, ou eu.
Explicativas

Expressam a relação de explicação, razão ou motivo. São elas: que, porque, porquanto, pois (anteposta ao verbo).

Ex: Ele não entra porque está sem tempo.
Conclusivas

Indicam relação de conclusão. São elas: pois (posposta ao verbo), logo, portanto, então, por isso, por conseguinte, por isto, assim, etc.[2][3]

Ex.: Ele bebeu bem mais do que poderia; logo, ficou embreagado.
Subordinativas

As conjunções subordinativas ligam uma oração de nível sintático inferior (oração subordinada) a uma de nível sintático superior (oração principal). Uma vez que uma oração é um membro sintático de outra, esta oração pode exercer funções diversas, correspondendo um tipo específico de conjunção para cada uma delas. Um período formado por conjunções subordinadas que não contém as tais conjunções é chamado de: oração principal.
Integrantes
que, se.

Introduzem uma oração (chamada de substantiva) que pode funcionar como sujeito, objeto direto, predicativo, aposto, agente da passiva, objeto indireto, complemento nominal (nos três últimos casos pode haver uma preposição anteposta a conjunção) de outra oração. As conjunções subordinativas integrantes são que e se.

Quando o verbo exprime uma certeza, usa-se que; quando não, usa-se "se".Afirmo que sou inteligente.Não sei se existe ou se dói.Espero que você não demore.

Uma forma de identificar o se e o que como conjunções integrantes é substituí-los por "isso", "isto" ou "aquilo".

Exemplos:Afirmo que sou inteligente (afirmo isto.)Não sei se existe ou se dói (não sei isto.)Espero que você não demore (espero isto.)

As adverbiais podem ser classificadas de acordo com o valor semântico que possuem.
Causal
porque, pois, porquanto, como, pois que, por isso que, já que, uma vez que, visto que, visto como, que, na medida em que.

Inicia uma oração subordinada denotadora de causa.Dona Luísa foi para lá pois estava doente.Como o calor estava forte, pusemo-nos a andar pelo passeio público.Como o frio era grande, aproximou-se da lareira.
Comparativa
que, (mais/menos/maior/menor/melhor/pior) do que, (tal) qual, (tanto) quanto, como, assim como, bem como, como se, que nem (dependendo da frase, pode expressar semelhança ou grau de superioridade), etc.

Iniciam uma oração que contém o segundo membro de uma comparação.

Indica comparação entre dois membros.Era mais alta do que baixa.Nesse instante, Pedro se levantou como se tivesse levado uma chicotada.O menino está tão confuso quanto o irmão.O bigode do seu Leocádio era amarelo, espesso e arrepiado que nem vassoura usada.
Concessiva
embora, muito embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que, bem que, se bem que, apesar de que, nem que,em que, que,e, a despeito de, não obstante etc.

Inicia uma oração subordinada em que se admite um fato contrário à ação proposta pela oração principal, mas incapaz de impedi-la.Pouco demorei, conquanto muitos fossem os agrados.É todo graça, embora as pernas não ajudem..
Condicional
se, caso, quando, contanto que, salvo se, sem que, dado que, desde que, a menos que, a não ser que, etc.

Iniciam uma oração subordinada em que se indica uma hipótese ou uma condição necessária para que seja realizado ou não o fato principal.Seria mais poeta,a menos que fosse político.Caso estivesse por perto, nada disso teria acontecido.
Conformativa
conforme, como, segundo, consoante etc.

Inicia uma oração subordinada em que se exprime a conformidade de um pensamento com o da oração principal.Cristo nasceu para todos, cada qual como o merece.Tal foi a conclusão de Aires, segundo se lê no Memorial. (Machado de Assis)
Consecutiva
que (combinada com uma das palavras tal, tanto, tão ou tamanho, presentes ou latentes na oração anterior), de forma que, de maneira que, de modo que, de sorte que

Iniciam uma oração na qual se indica a consequência.Soube que tivera uma emoção tão grande que Deus quase a levou.Falou tanto na reunião que ficou roucoTamanho o labor que sentiu sedeEra tal a vitória que transbordou lágrimas de emoçãoAs palavras são todas de tal modo ou tamanho
Final
para que, a fim de que, porque [para que], que

Iniciam uma oração subordinada que indica a finalidade,o objetivo da oração principalAqui vai o livro para que o leia.Fiz-lhe sinal que se calasse.Chegue mais cedo a fim de que possamos conversar.
Proporcional
à medida que, ao passo que, à proporção que, enquanto, quanto mais … (mais), quanto mais (tanto mais), quanto mais … (menos), quanto mais … (tanto menos), quanto menos … (menos), quanto menos … (tanto menos), quanto menos … (mais), quanto menos … (tanto mais)

Iniciam uma oração subordinada em que se menciona um fato realizado ou para realizar-se simultaneamente com o da oração principal.Ao passo que nos elevávamos, elevava-se igualmente o dia nos ares.Tudo isso vou escrevendo enquanto entramos no Ano Novo.O preço do leite aumenta à proporção que esse alimento falta no mercado.
Temporal
quando, antes que, depois que, até que, logo que, sempre que, assim que, desde que, enquanto, todas as vezes que, cada vez que, apenas, mal, que [= desde que], etc.

Iniciam uma oração subordinada indicadora de circunstância de tempoCustas a vir e, quando vens, não demora.Implicou comigo assim que me viu;
Observações gerais

Uma conjunção é na maioria das vezes precedida ou sucedida por uma vírgula (",") e muito raramente é sucedida por um ponto ("."). Seguem alguns exemplos de frases com as conjunções marcadas em negrito:"Aquele é um bom aluno, portanto deverá ser aprovado.""Meu pai ora me trata bem, ora me trata mal.""Gosto de comer chocolate, mas sei que me faz mal.""Marcelo pediu que trouxéssemos bebidas para a festa.""João subiu e desceu a escada."Quando a banda deu seu acorde final, os organizadores deram início aos jogos.

Em geral, cada categoria tem uma conjunção típica. Assim é que, para classificar uma conjunção ou locução conjuntiva, é preciso que ela seja substituível, sem mudar o sentido do período, pela conjunção típica. Por exemplo, o "que" somente será conjunção coordenativa aditiva, se for substituível pela conjunção típica "e".

Veja os exemplos:Dize-me com quem andas, que eu te direi quem és.Dize-me com quem andas, e eu te direi quem és.

As conjunções alternativas caracterizam-se pela repetição, exceto "ou", cujo primeiro elemento pode ficar subentendido.

As adversativas, exceto "mas", podem aparecer deslocadas. Neste caso, a substituição pelo tipo (conjunção típica) só é possível se forem devolvidas ao início da oração.

A diferença entre as conjunções coordenativas explicativas e as subordinativas causais é o verbo: se este estiver no imperativo, a conjunção será coordenativa explicativa: "Fecha a janela, porque faz frio."

O "que" e o "se" serão integrantes se a oração por eles iniciada responder à pergunta "O que…?", formulada com o verbo da oração anterior. Veja o exemplo:Não sei se morre de amor (o que não sei? Se morre de amor.)

O uso da conjunção "pois" pode a ser classificada em:
explicativa, quando a conjunção estiver antes do verbo;
conclusiva, quando a conjunção estiver depois do verbo;
causal, quando a conjunção puder ser substituída por "uma vez que".
Referências

"Conjunção", Gramática, BR: Algo Sobre.
Paschoalin; Spadoto, Gramática — Teoria e Exercícios.
Evanildo, Gramática Escolar da Língua Portuguesa, Bechara

Conjunções Subordinativas


Subordinativas

As conjunções subordinativas ligam uma oração de nível sintático inferior (oração subordinada) a uma de nível sintático superior (oração principal). Uma vez que uma oração é um membro sintático de outra, esta oração pode exercer funções diversas, correspondendo um tipo específico de conjunção para cada uma delas. Um período formado por conjunções subordinadas que não contém as tais conjunções é chamado de: oração principal.
Integrantes
que, se.

Introduzem uma oração (chamada de substantiva) que pode funcionar como sujeito, objeto direto, predicativo, aposto, agente da passiva, objeto indireto, complemento nominal (nos três últimos casos pode haver uma preposição anteposta a conjunção) de outra oração. As conjunções subordinativas integrantes são que e se.

Quando o verbo exprime uma certeza, usa-se que; quando não, usa-se "se".Afirmo que sou inteligente.Não sei se existe ou se dói.Espero que você não demore.

Uma forma de identificar o se e o que como conjunções integrantes é substituí-los por "isso", "isto" ou "aquilo".

Exemplos:Afirmo que sou inteligente (afirmo isto.)Não sei se existe ou se dói (não sei isto.)Espero que você não demore (espero isto.)

As adverbiais podem ser classificadas de acordo com o valor semântico que possuem.
Causal
porque, pois, porquanto, como, pois que, por isso que, já que, uma vez que, visto que, visto como, que, na medida em que.

Inicia uma oração subordinada denotadora de causa.Dona Luísa foi para lá pois estava doente.Como o calor estava forte, pusemo-nos a andar pelo passeio público.Como o frio era grande, aproximou-se da lareira.
Comparativa
que, (mais/menos/maior/menor/melhor/pior) do que, (tal) qual, (tanto) quanto, como, assim como, bem como, como se, que nem (dependendo da frase, pode expressar semelhança ou grau de superioridade), etc.

Iniciam uma oração que contém o segundo membro de uma comparação.

Indica comparação entre dois membros.Era mais alta do que baixa.Nesse instante, Pedro se levantou como se tivesse levado uma chicotada.O menino está tão confuso quanto o irmão.O bigode do seu Leocádio era amarelo, espesso e arrepiado que nem vassoura usada.
Concessiva
embora, muito embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que, bem que, se bem que, apesar de que, nem que,em que, que,e, a despeito de, não obstante etc.

Inicia uma oração subordinada em que se admite um fato contrário à ação proposta pela oração principal, mas incapaz de impedi-la.Pouco demorei, conquanto muitos fossem os agrados.É todo graça, embora as pernas não ajudem..
Condicional
se, caso, quando, contanto que, salvo se, sem que, dado que, desde que, a menos que, a não ser que, etc.

Iniciam uma oração subordinada em que se indica uma hipótese ou uma condição necessária para que seja realizado ou não o fato principal.Seria mais poeta,a menos que fosse político.Caso estivesse por perto, nada disso teria acontecido.
Conformativa
conforme, como, segundo, consoante etc.

Inicia uma oração subordinada em que se exprime a conformidade de um pensamento com o da oração principal.Cristo nasceu para todos, cada qual como o merece.Tal foi a conclusão de Aires, segundo se lê no Memorial. (Machado de Assis)
Consecutiva
que (combinada com uma das palavras tal, tanto, tão ou tamanho, presentes ou latentes na oração anterior), de forma que, de maneira que, de modo que, de sorte que

Iniciam uma oração na qual se indica a consequência.Soube que tivera uma emoção tão grande que Deus quase a levou.Falou tanto na reunião que ficou roucoTamanho o labor que sentiu sedeEra tal a vitória que transbordou lágrimas de emoçãoAs palavras são todas de tal modo ou tamanho
Final
para que, a fim de que, porque [para que], que

Iniciam uma oração subordinada que indica a finalidade,o objetivo da oração principalAqui vai o livro para que o leia.Fiz-lhe sinal que se calasse.Chegue mais cedo a fim de que possamos conversar.
Proporcional
à medida que, ao passo que, à proporção que, enquanto, quanto mais … (mais), quanto mais (tanto mais), quanto mais … (menos), quanto mais … (tanto menos), quanto menos … (menos), quanto menos … (tanto menos), quanto menos … (mais), quanto menos … (tanto mais)

Iniciam uma oração subordinada em que se menciona um fato realizado ou para realizar-se simultaneamente com o da oração principal.Ao passo que nos elevávamos, elevava-se igualmente o dia nos ares.Tudo isso vou escrevendo enquanto entramos no Ano Novo.O preço do leite aumenta à proporção que esse alimento falta no mercado.
Temporal
quando, antes que, depois que, até que, logo que, sempre que, assim que, desde que, enquanto, todas as vezes que, cada vez que, apenas, mal, que [= desde que], etc.

Iniciam uma oração subordinada indicadora de circunstância de tempoCustas a vir e, quando vens, não demora.Implicou comigo assim que me viu;
Observações gerais

Uma conjunção é na maioria das vezes precedida ou sucedida por uma vírgula (",") e muito raramente é sucedida por um ponto ("."). Seguem alguns exemplos de frases com as conjunções marcadas em negrito:"Aquele é um bom aluno, portanto deverá ser aprovado.""Meu pai ora me trata bem, ora me trata mal.""Gosto de comer chocolate, mas sei que me faz mal.""Marcelo pediu que trouxéssemos bebidas para a festa.""João subiu e desceu a escada."Quando a banda deu seu acorde final, os organizadores deram início aos jogos.

Em geral, cada categoria tem uma conjunção típica. Assim é que, para classificar uma conjunção ou locução conjuntiva, é preciso que ela seja substituível, sem mudar o sentido do período, pela conjunção típica. Por exemplo, o "que" somente será conjunção coordenativa aditiva, se for substituível pela conjunção típica "e".

Veja os exemplos:Dize-me com quem andas, que eu te direi quem és.Dize-me com quem andas, e eu te direi quem és.

As conjunções alternativas caracterizam-se pela repetição, exceto "ou", cujo primeiro elemento pode ficar subentendido.

As adversativas, exceto "mas", podem aparecer deslocadas. Neste caso, a substituição pelo tipo (conjunção típica) só é possível se forem devolvidas ao início da oração.

A diferença entre as conjunções coordenativas explicativas e as subordinativas causais é o verbo: se este estiver no imperativo, a conjunção será coordenativa explicativa: "Fecha a janela, porque faz frio."

O "que" e o "se" serão integrantes se a oração por eles iniciada responder à pergunta "O que…?", formulada com o verbo da oração anterior. Veja o exemplo:Não sei se morre de amor (o que não sei? Se morre de amor.)

O uso da conjunção "pois" pode a ser classificada em:
explicativa, quando a conjunção estiver antes do verbo;
conclusiva, quando a conjunção estiver depois do verbo;
causal, quando a conjunção puder ser substituída por "uma vez que".

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sujeito e Predicado (Classificação)



Sujeito: é o termo da oração que funciona como suporte de uma afirmação feita através do predicado.

Predicado: é o termo da oração que, através de um verbo, projeta alguma afirmação sobre o sujeito.

Exemplo:



A pequena criança

me contou a novidade com alegria no olhar.


Sujeito

Predicado





Para ajudar a localizar o sujeito há três critérios:

• Concordância: o verbo está sempre na mesma pessoa e número que o seu sujeito;
• Posição: normalmente, o sujeito precede o verbo e, mesmo que venha depois, pode ser transposto naturalmente para antes;
• Permutação: quando o núcleo do sujeito é um substantivo, pode ser permutado pelos pronomes ele, ela, eles, elas.


Tipos de sujeito

• Sujeito determinado: ocorre quando a terminação do verbo e o contexto permitem:

- reconhecer que existe um elemento ao qual o predicado se refere;

- indicar quem é esse elemento.

Exemplo: A carrocinha levou meu cachorro.

O sujeito determinado pode ainda ser subclassificado como:

Sujeito determinado simples: aquele que tem apenas um núcleo.

Exemplo: A mãe levantou-se aborrecida.

Sujeito determinado composto: aquele que tem mais de um núcleo.

Exemplo: Arroz e feijão não saíam de nossos pratos.

O sujeito determinado pode não ocorrer explícito na oração. Há quem costume classificá-lo como:

- sujeito determinado implícito na desinência verbal;

- sujeito elíptico;

- sujeito oculto;

Exemplo: Vou ao cinema na sessão das dez.
(sujeito = eu – implícito na desinência verbal)

• Sujeito indeterminado: ocorre quando a terminação do verbo e o contexto permitem reconhecer que:

- existe um elemento ao qual o predicado se refere, mas

- não é possível identificar quem é, nem quantos são esses elementos.

Exemplo: Chegaram da festa tarde demais.

Há duas maneiras de se indeterminar o sujeito:

- pode-se colocar o verbo na terceira pessoa do plural, sem referência a nenhum antecedente;

Exemplo: Dizem péssimas coisas sobre você.

- justapondo-se o pronome se – índice de indeterminação do sujeito – ao verbo na terceira pessoa do singular.

Exemplo: Precisa-se de balconista.

* Quando o verbo está na terceira pessoa do plural, fazendo referência a elementos antecedentes, o sujeito classifica-se como determinado.

Exemplo: A sua família não te respeita. Dizem péssimas coisas sobre você.

* É preciso não confundir a classificação do sujeito em frases aparentemente equivalentes como as que seguem:

Exemplos: Discutiu-se o fato.

Discordou-se do fato.

Na primeira, o sujeito é determinado; na segunda é indeterminado.

Para compreender a diferença entre um caso e outro, é preciso levar em conta que o pronome se pode funcionar como:

• Partícula apassivadora: nesse caso, sempre há na frase um sujeito determinado;

• Índice de indeterminação do sujeito: nesse caso, o sujeito é indeterminado.

Se – Partícula apassivadora

Quando o pronome se funciona como partícula apassivadora, ocorre a seguinte estrutura:

• Verbo na terceira pessoa (singular e plural)

• Pronome se;

• Um substantivo (ou palavra equivalente) não precedido de preposição;

• É possível a transformação na voz passiva com o verbo ser (voz passiva analítica).

Exemplo:
Contou-se a história.
verbo na 3ª pessoa + pronome + substantivo sem preposição.

Transformação:
Foi contada a história.
voz passiva analítica (com o verbo ser)

Se – Índice de indeterminação do sujeito

Quando o pronome se funciona como índice de indeterminação do sujeito, ocorre esta estrutura:

• Verbo na terceira pessoa do singular;

• Pronome se;

• Não ocorre um substantivo sem preposição que possa ser colocado como sujeito do verbo na voz passiva analítica.

Exemplo:

Falou-se da história.
verbo na 3ª pessoa do singular + pronome + substantivo com preposição
Transformação na voz passiva analítica – não é possível.


• Sujeito inexistente: ocorre quando simplesmente não existe elemento ao qual o predicado se refere.

Exemplo: Choveu durante o dia.

O verbo que não tem sujeito chama-se impessoal e os verbos impessoais mais comuns são os seguintes:

- haver: no sentido de existir, acontecer e na indicação de tempo passado.

Exemplo: Houve poucas reclamações.

- fazer: na indicação de tempo passado e de fenômenos da natureza.

Exemplo: Faz dois anos que te perdi.

- ser: na indicação de tempo e distância.

Exemplo: É dia.

- todos os verbos que indicam fenômenos da natureza;

Exemplo: Nevou durante a madrugada.
Choveu muito durante o dia.

Veja também: Tipos de Predicado

Por Marina Cabral
Especialista em Língua Portuguesa e Literatura
Equipe Brasil Escola




Classificação do Predicado

Para o estudo do predicado, é necessário verificar se seu núcleo significativo está num nome ou num verbo. Além disso, devemos considerar se as palavras que formam o predicado referem-se apenas ao verbo ou também ao sujeito da oração. Veja o exemplo abaixo:
Os animais necessitam de cuidados especiais
Sujeito Predicado



O predicado, apesar de ser formado por muitas palavras, apresenta apenas uma que se refere ao sujeito:necessitam. As demais palavras ligam-se direta ou indiretamente ao verbo (necessitar é, no caso, de algo), que assume, assim, o papel de núcleo significativo do predicado. Já em:
A natureza é bela
Sujeito Predicado



No exemplo acima, o nome bela se refere, por intermédio do verbo, ao sujeito da oração. O verbo agora atua como elemento de ligação entre sujeito e a palvra a ele relacionada. O núcleo do predicado é bela. Veja o próximo exemplo:
O dia amanheceu ensolarado
Sujeito Predicado



Percebemos que as duas palavras que formam o predicado estão diretamente relacionadas ao sujeito:amanheceu (verbo significativo) e ensolarado (nome que se refere ao sujeito). O predicado apresenta, portanto, dois núcleos: amanheceu e ensolarado.

Tomando por base o núcleo do que está sendo declarado, podemos reconhecer três tipos de predicado:verbal, nominal e verbo-nominal.

Predicado Verbal

Apresenta as seguintes características:

a) Tem um verbo como núcleo;

b) Não possui predicativo do sujeito;

c) Indica ação.

Por exemplo:

Eles revelaram toda a verdade para a filha.

Predicado Verbal

Para ser núcleo do predicado verbal, é necessário que o verbo seja significativo, isto é, que traga uma ideia de ação. Veja os exemplos abaixo:

O dia clareou. (núcleo do predicado verbal = clareou)

Chove muito nos estados do sul do país. (núcleo do predicado verbal = Chove)

Ocorreu um acidente naquela rua. (núcleo do predicado verbal = Ocorreu)

A antiga casa foi demolida. (núcleo do predicado verbal = demolida)

Obs.: no último exemplo há uma locução verbal de voz passiva, o que não impede o verbo demolir de ser o núcleo do predicado.

Predicado Nominal

Apresenta as seguintes características:

a) Possui um nome (substantivo ou adjetivo) como núcleo;

b) É formado por um verbo de ligação mais o predicativo do sujeito;

c) Indica estado ou qualidade.

Por Exemplo:Leonardo é competente.

Predicado Nominal
    No predicado nominal, o núcleo é sempre um nome, que desempenha a função de predicativo do sujeito. O predicativo do sujeito é um termo que caracteriza o sujeito, tendo como intermediário um verbo de ligação. Os exemplos abaixo mostram como esses verbos exprimem diferentes circunstâncias relativas ao estado do sujeito, ao mesmo tempo que o ligam ao predicativo.Veja:

Ele está triste. (triste = predicativo do sujeito, está = verbo de ligação)

A natureza é bela. (bela = predicativo do sujeito, é = verbo de ligação)

O homem parecia nervoso. (nervoso = predicativo do sujeito, parecia = verbo de ligação)

Nosso herói acabou derrotado. (derrotado = predicativo do sujeito, acabou = verbo de ligação)

Uma simples funcionária virou diretora da empresa. (diretora = predicativo do sujeito, virou = verbo de ligação)


Predicativo do Sujeito

É o termo que atribui características ao sujeito por meio de um verbo. Todo predicado construído com verbo de ligação necessita de predicativo do sujeito. Pode ser representado por:

a) Adjetivo ou locução adjetiva:

Por Exemplo:O seu telefonema foi especial. (especial = adjetivo)
Este bolo está sem sabor. (sem sabor = locução adjetiva)

b) Substantivo ou palavra substantivada:

Por Exemplo:Esta figura parece um peixe. (peixe = substantivo)
Amar é um eterno recomeçar. (recomeçar = verbo substantivado)

c) Pronome Substantivo:

Por Exemplo:Meu boletim não é esse. (esse = pronome substantivo)

d) Numeral:

Por Exemplo:Nós somos dez ao todo. (dez = numeral)

Predicado Verbo-Nominal

Apresenta as seguintes características:

a) Possui dois núcleos: um verbo e um nome;

b) Possui predicativo do sujeito ou do objeto;

c) Indica ação ou atividade do sujeito e uma qualidade.

Por Exemplo:
Os alunos saíram da aula alegres.
Predicado Verbo-Nominal


O predicado é verbo-nominal porque seus núcleos são um verbo (saíram - verbo intransitivo), que indica uma ação praticada pelo sujeito, e um predicativo do sujeito (alegres), que indica o estado do sujeito no momento em que se desenvolve o processo verbal. É importante observar que o predicado dessa oração poderia ser desdobrado em dois outros, um verbal e um nominal. Veja:

Os alunos saíram da aula. Eles estavam alegres.


Estrutura do Predicado Verbo-Nominal

O predicado verbo-nominal pode ser formado de:


1 - Verbo Intransitivo + Predicativo do Sujeito


Por Exemplo:
Joana partiu contente.
Sujeito Verbo Intransitivo Predicativo do Sujeito


2 - Verbo Transitivo + Objeto + Predicativo do Objeto


Por Exemplo:
A despedida deixou a mãe aflita.
Sujeito Verbo Transitivo Objeto Direto Predicativo do Objeto





3 - Verbo Transitivo + Objeto + Predicativo do Sujeito

Por Exemplo:
Os alunos cantaram emocionados aquela canção.
Sujeito Verbo Transitivo Predicativo do Sujeito Objeto Direto

Saiba que:

Para perceber como os verbos participam da relação entre o objeto direto e seu predicativo, basta passar a oração para voz passiva. Veja:

Voz Ativa:
As mulheres julgam os homens insensíveis.
Sujeito Verbo Significativo Objeto Direto Predicativo do Objeto


Voz Passiva:
Os homens são julgados insensíveis pelas mulheres.
Verbo Significativo Predicativo do Objeto


O verbo julgar relaciona o complemento (os homens) com o predicativo (insensíveis). Essa relação se evidencia quando passamos a oração para a voz passiva.




Observação: o predicativo do objeto normalmente se refere ao objeto direto. Ocorre predicativo do objeto indireto com o verbo chamar. Assim, vem precedido de preposição.

Por Exemplo:Todos o chamam de irresponsável.
Chamou-lhe ingrato. (Chamou a ele ingrato.)



sexta-feira, 9 de março de 2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

8o Ano - Graciliano Ramos e Heloísa Medeiros

Graciliano Ramos
"Começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas
com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos
estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei,
ainda nos podemos mexer"


Graciliano Ramos nasceu no dia 27 de outubro de 1892, na cidade de Quebrangulo, sertão de Alagoas, filho primogênito dos dezesseis que teriam seus pais, Sebastião Ramos de Oliveira e Maria Amélia Ferro Ramos. Viveu sua infância nas cidades de Viçosa, Palmeira dos Índios (AL) e Buíque (PE), sob o regime das secas e das suas que lhe eram aplicadas por seu pai, o que o fez alimentar, desde cedo, a idéia de que todas as relações humanas são regidas pela violência. Em seu livro autobiográfico "Infância", assim se referia a seus pais: "Um homem sério, de testa larga (...), dentes fortes, queixo rijo, fala tremenda; uma senhora enfezada, agressiva, ranzinza (...), olhos maus que em momentos de cólera se inflamavam com um brilho de loucura".
Em 1894, a família muda-se para Buíque (PE), onde o escritor tem contacto com as primeiras letras.
Em 1904, retornam ao Estado de Alagoas, indo morara em Viçosa. Lá,Graciliano cria um jornalzinho dedicado às crianças, o "Dilúculo". Posteriormente, redige o jornal "Echo Viçosense", que tinha entre seus redatores seu mentor intelectual, Mário Venâncio.
Em 1905 vai para Maceió, onde freqüenta, por pouco tempo, o Colégio Quinze de Março, dirigido pelo professor Agnelo Marques Barbosa.
Com o suicídio de Mário Venâncio, em fevereiro de 1906, o "Echo" deixa de circular. Graciliano publica na revista carioca "O Malho" sonetos sob o pseudônimo de Feliciano de Olivença.
Em 1909, passa a colaborar com o "Jornal de Alagoas", de Maceió, publicando o soneto "Céptico" sob o pseudônimo de Almeida Cunha. Até 1913, nesse jornal, usa outros pseudônimos: S. de Almeida Cunha, Soares de Almeida Cunha e Lambda, este usado em trabalhos de prosa. Até 1915 colabora com "O Malho", usando alguns dos pseudônimos citados e o de Soeiro Lobato.
Em 1910, responde a inquérito literário movido pelo Jornal de Alagoas, de Maceió. Em outubro, muda-se para Palmeira dos Índios, onde passa a residir.
Passa a colaborar com o "Correio de Maceió", em 1911, sob o pseudônimo de Soares Lobato.
Em 1914, embarca para o Rio de Janeiro (RJ) no vapor Itassuoê. Nesse ano e parte do ano seguinte, trabalha como revisor de provas tipográficas nos jornais cariocas "Correio da Manhã", "A Tarde" e "O Século". Colaborando com o "Jornal de Alagoas" e com o fluminense "Paraíba do Sul", sob as iniciais R.O. (Ramos de Oliveira). Volta a Palmeira dos Índios, em meados de 1915, onde trabalha como jornalista e comerciante. Casa-se com Maria Augusta Ramos.
Sua esposa falece em 1920, deixando quatro filhos menores.
Em 1927, é eleito prefeito da cidade de Palmeira dos Índios, cargo no qual é empossado em 1928. Ao escrever o seu primeiro relatório ao governador Álvaro Paes, “um resumo dos trabalhos realizados pela Prefeitura de Palmeira dos Índios em 1928”, publicado pela Imprensa Oficial de Alagoas em 1929, a verve do escritor se revela ao abordar assuntos rotineiros de uma administração municipal. No ano seguinte, 1930, volta o então prefeito Graciliano Ramos com um novo relatório ao governador que, ainda em nossos dias, não se pode ler sem um sorriso nos lábios, tal a forma sui generis em que é apresentado. Dois anos depois, renuncia ao cargo de prefeito e se muda para a cidade de Maceió, onde é nomeado diretor da Imprensa Oficial. Casa-se com Heloisa Medeiros. Colabora com jornais usando o pseudônimo de Lúcio Guedes.
Demite-se do cargo de diretor da Imprensa Oficial e volta a Palmeira dos Índios, onde funda urna escola no interior da sacristia da igreja Matriz e inicia os primeiros capítulos do romance São Bernardo.
O ano de 1933 marca o lançamento de seu primeiro livro, "Caetés", que já trazia consigo o pessimismo que marcou sua obra. Esse romance Gracilianovinha escrevendo desde 1925.
No ano seguinte, publica "São Bernardo". Falece seu pai, em Palmeira dos Índios.
Em março de 1936, acusado — sem que a acusação fosse formalizada — de ter conspirado no malsucedido levante comunista de novembro de 1935, é demitido, preso em Maceió e enviado a Recife, onde é embarcado com destino ao Rio de Janeiro no navio "Manaus". com outros 115 presos. O país estava sob a ditadura de Vargas e do poderoso coronel Filinto Müller. No período em que esteve preso no Rio, até janeiro de 1937, passou pelo Pavilhão dos Primários da Casa de Detenção, pela Colônia Correcional de Dois Rios (na Ilha Grande), voltou à Casa de Detenção e, por fim, pela Sala da Capela de Correção. Seu livro "Angústia" é lançado no mês de agosto daquele ano. Esse romance é agraciado, nesse mesmo ano, com o prêmio "Lima Barreto", concedido pela "Revista Acadêmica".
Foi libertado e passou a trabalhar como copidesque em jornais do Rio de Janeiro, em 1937. Em maio, a "Revista Acadêmica" dedica-lhe uma edição especial, de número 27 - ano III, com treze artigos sobre o autor. Recebe o prêmio "Literatura Infantil", do Ministério da Educação", com "A terra dos meninos pelados."
Em 1938, publica seu famoso romance "Vidas secas". No ano seguinte é nomeado Inspetor Federal do Ensino Secundário no Rio de Janeiro.
Em 1940, freqüenta assiduamente a sede da revista "Diretrizes", junto de Álvaro Moreira, Joel Silveira, José Lins do Rego e outros "conhecidos comunistas e elementos de esquerda", como consta de sua ficha na polícia política. Traduz "Memórias de um negro", do americano Booker T. Washington, publicado pela Editora Nacional, S. Paulo.
Publica uma série de crônicas sob o título "Quadros e Costumes do Nordeste" na revista "Política", do Rio de Janeiro.
Em 1942, recebe o prêmio "Felipe de Oliveira" pelo conjunto de sua obra, por ocasião do jantar comemorativo a seus 50 anos. O romance "Brandão entre o mar e o amor", escrito em parceria com Jorge Amado, José Lins do Rego, Aníbal Machado e Rachel de Queiroz é publicado pela Livraria Martins, S. Paulo.
Em 1943, falece sua mãe em Palmeira dos Índios.
Lança, em 1944, o livro de literatura infantil "Histórias de Alexandre". Seu livro "Angústia" é publicado no Uruguai.
Filia-se ao Partido Comunista, em 1945, ano em que são lançados "Dois dedos" e o livro de memórias "Infância".
O escritor Antônio Cândido publica, nessa época, uma série de cinco artigos sobre a obra de Graciliano no jornal "Diário de São Paulo", que o autor responde por carta. Esse material transformou-se no livro "Ficção e Confissão".
Em 1946, publica "Histórias incompletas", que reúne os contos de "Dois dedos", o conto inédito "Luciana", três capítulos de "Vidas secas" e quatro capítulos de "Infância".
Os contos de "Insônia" são publicados em 1947.
O livro "Infância" é publicado no Uruguai, em 1948.
Traduz, em 1950, o famoso romance "A Peste", de Albert Camus, cujo lançamento se dá nesse mesmo ano pela José Olympio.
Em 1951, elege-se presidente da Associação Brasileira de Escritores, tendo sido reeleito em 1962. O livro "Sete histórias verdadeiras", extraídas do livro "Histórias de Alexandre", é publicado.
Em abril de 1952, viaja em companhia de sua segunda esposa, Heloísa Medeiros Ramos, à Tcheco-Eslováquia e Rússia, onde teve alguns de seus romances traduzidos. Visita, também, a França e Portugal. Ao retornar, em 16 de junho, já enfermo, decide ir a Buenos Aires, Argentina, onde se submete a tratamento de pulmão, em setembro daquele ano. É operado, mas os médicos não lhe dão muito tempo de vida. A passagem de seus sessenta anos é lembrada em sessão solene no salão nobre da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em sessão presidida por Peregrino Júnior, da Academia Brasileira de Letras. Sobre sua obra e sua personalidade falaram Jorge Amado, Peregrino Júnior, Miécio Tati, Heraldo Bruno, José Lins do Rego e outros. Em seu nome, falou sua filha Clara Ramos.
No janeiro ano seguinte, 1953, é internado na Casa de Saúde e Maternidade S. Vitor, onde vem a falecer, vitimado pelo câncer, no dia 20 de março, às 5:35 horas de uma sexta-feira. É publicado o livro "Memórias do cárcere", queGraciliano não chegou a concluir, tendo ficado sem o capítulo final.
Postumamente, são publicados os seguintes livros: "Viagem", 1954, "Linhas tortas", "Viventes das Alagoas" e "Alexandre e outros heróis", em 1962, e "Cartas", 1980, uma reunião de sua correspondência.
Seus livros "São Bernardo" e "Insônia" são publicados em Portugal, em 1957 e 1962, respectivamente. O livro "Vidas secas" recebe o prêmio "Fundação William Faulkner", na Virginia, USA.
Em 1963, o 10º aniversário da morte de Mestre Graça, como era chamado pelos amigos, é lembrado com as exposições "Retrospectiva das Obras de Graciliano Ramos", em Curitiba (PR), e "Exposição Graciliano Ramos", realizada pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
Em 1965, seu romance "Caetés" é publicado em Portugal.
Seus livros "Vidas secas" e "Memórias do cárcere" são adaptados para o cinema por Nelson Pereira dos Santos, em 1963 e 1983, respectivamente. O filme "Vidas secas" obtem os prêmios "Catholique International du Cinema" e "Ciudad de Valladolid" (Espanha). Leon Hirszman dirige "São Bernardo", em 1980.
Em 1970, "Memórias do cárcere" é publicado em Portugal. 
Bibliografia: 
- Caetés - romance
- São Bernardo - romance
- Angústia - romance
- Vidas secas - romance
- Infância - memórias
- Dois dedos - contos
- Insônia - contos
- Memórias do cárcere - memórias
- Viagem - impressões sobre a Tcheco-Eslováquia e a URSS.
- Linhas tortas - crônicas
- Viventes das Alagoas - crônicas
- Alexandre e outros irmãos (Histórias de Alexandre, A terra dos meninos pelados e Pequena história da República).
- Cartas - correspondência pessoal.

Dados extraídos de livros do autor, internet e caderno "Mais!", da Folha de São Paulo, edição de 09/03/2003.
Heloísa de Medeiros Ramos nasceu em Maceió no dia 11 de janeiro de 1910, e faleceu em 23 de julho de 1999. Aos dezoito anos casou-se com o viúvo Graciliano Ramos, herdando do relacionamento anterior os enteados: Márcio, Júnio, Múcio e Maria Augusta. De sua união com o escritor nasceram mais quatro filhos: Ricardo, Roberto, Luiza e Clara. Enviuvou muito cedo, aos 43 anos de idade, no dia 20 de março de 1953. E nunca mais se casou. Iria dedicar o resto de sua vida à administração da obra de Graciliano Ramos.
Heloísa cumpria uma rotina diária abnegada. Levantava-se relativamente tarde, já que detestava acordar cedo, e logo estava em seu gabinete trabalhando. Lia todos os jornais importantes do dia, além de algumas revistas. As referências ao ex-marido eram recortadas e arquivadas. Graças a este expediente, pode doar mais tarde ao IEB, Instituto de Estudos Brasileiros, localizado na USP, um acervo importante e completo sobre Graciliano Ramos. Qualquer pesquisador que deseje estudar a obra dele encontrará à sua disposição
Heloísa, aos 17 anos, 1927


Maria Augusta, Múcio, Júnio e Márcio, os quatro primeiros filhos de GR, 1922 (aprox.)

Graciliano e Heloísa. Rio de Janeiro, 1944
Heloísa com os netos Elizabeth, Ricardo Filho, Fernanda e Beatriz. Salvador, 31/out/1998
documentos, artigos, fotos, vasto material capaz de enriquecer as mais variadas teses. Heloísa, porém, fazia mais do que isso. Revisava novas edições, negociava contratos, comunicava-se com editores e interessados em publicar Graciliano. Facilitava-lhe a tarefa sua excelente capacidade em relacionar-se. Falante ao extremo, alegre e desenvolta, sempre foi pessoa de fácil acesso. E assim passou seus dias, anos, a vida inteira. Levando muito a sério o ofício de conduzir o legado literário de meu avô, tornou-se figura indispensável quando se pensa no percurso cumprido pelos livros do velho Graça até os dias de hoje. As edições bem cuidadas e presentes nas livrarias, são ainda hoje reflexo do trabalho por ela iniciado, e continuado pela filha Luiza Ramos Amado.
Não resisto aqui à tentação. Afirmo que por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher. Faço-o divertindo-me saudoso, e consciente de todo o incômodo que provocaria em minha avó ao dizer tal asneira. Pelo preconceito que há no conceito popular, pela ojeriza que ela tinha em ouvir lugares comuns. Até hoje, quando falo com meus irmãos e primos, costumamos lembrar vovó quando usamos frases feitas. Sempre rindo da reação imediata de desagrado dela ao ouvi-las e pedindo licença à sua memória. Mas Heloísa Ramos, independentemente de qualquer colocação em tom de galhofa que se faça, foi mesmo uma pessoa muito especial. Corajosa, sem papas na língua, ciosa de suas responsabilidades. Em 1980, por exemplo, escreveu nota para a primeira edição de Cartas, de Graciliano Ramos, justificando esse lançamento: “Convenço-me da necessidade de publicar a correspondência íntima de Graciliano Ramos, falecido há 27 anos. Durante tão longo tempo esses papéis permaneceram comigo, parte da minha saudade. Graciliano preservava a sua identidade ao ponto de não permitir intrusões em seu espaço pessoal, era avesso a qualquer publicidade, muito contido em suas relações com terceiros e dizia que só após vinte anos de sua morte se deveria publicar seus inéditos (...)”. Ela esperou um pouco mais.
Registrei as impressões que tenho dela em um livro, Sobre o telhado das árvores, memórias infantis publicadas pela Ed. Globo em 2008. Vó Lozinha, como preferíamos chamá-la, gostava de repetir uma história. Falava sempre de uma pergunta que lhe fiz quando era menino:
- Vó, por que os passarinhos não caem do telhado das árvores?

Ria da pergunta que considerava poética. Hoje, quase sessentão, sei que muito do que sou foi conseqüência do meu relacionamento na infância com ela.
Aos sete anos de idade pedi que me contasse uma história. Apresentou-me Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Mais tarde terminei sozinho e foi o primeiro livro que li. A imagem que fiz de Dona Benta, por sinal, foi guiada pelos sentimentos em relação à minha avó. O mesmo tipo de delicadeza, atenção aos netos, disposição para gastar tempo com eles. Devo muito ao carinho que me transmitiu.
Aos domingos, por volta de seis da tarde, ligava-me de Maceió. Entusiasmava-se. Política, fofocas familiares, reminiscências do tempo em que era mocinha, emendava um assunto no outro sem tomar fôlego. Às vezes, sentindo-lhe a respiração difícil tentava, preocupado, interrompê-la. Quem disse que ela queria respirar? Despedia-se sempre carinhosa, declarando seu amor, abrandando a voz num quase murmúrio que afagava minha cabeça. Minhas tardes de domingo eram muito especiais. Hoje, certamente, ela seria uma jovem senhora de cem anos.
Referência:
RAMOS, Graciliano, Cartas a Heloísa, SMC Secretaria Municapal de Cultura de São Paulo, edição comemorativa do centenário de Graciliano Ramos, 1992, p.31
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 *Ricardo Filho é escritor.